terça-feira, 26 de agosto de 2014

Seminário III - “POR UMA PRÁTICA DOCENTE CRÍTICA E CONSTRUTIVA”



SÍNTESE DO TEXTO “POR UMA PRÁTICA DOCENTE CRÍTICA E CONSTRUTIVA”

Cipriano Carlos Luckesi

A prática docente tem que ser crítica no sentido de desenvolver sua prática nas determinações sociais. E tem que ser construtiva na medida em que usem os princípios científicos para a aprendizagem do aluno. Aqui será abordada a temática da prática docente, o trabalho cotidiano do professor. Se cada professor tiver grande empenho nas suas atividades, podemos afirmar que o melhoramento dos alunos será bem maior.
A educação do ponto de vista tanto do governo, quanto dos professores é fazer com que os alunos possam se desenvolver individual e coletivamente. Mas muitas vezes o que acontece é que os próprios educadores não tem comprometimento com esse trabalho escolar. Dificultando ainda mais os problemas dos alunos, que enfrentam muitas vezes a repetência, a evasão escolar e o analfabetismo.
De um modo geral, além desses problemas ainda existe o fato de vários alunos ou a grande maioria pertencer às camadas mais baixas da sociedade. Isso não vem de hoje. Na história da humanidade é comum vermos as classes altas sendo privilegiadas no ensino, enquanto que as classes mais baixas sendo excluídas dos estudos.
Podemos citar o exemplo de Esparta e Atenas, na Grécia. Onde na primeira cidade, os militares tinham prioridade na educação, assim como na segunda cidade, os cidadãos atenienses e romanos tinham privilégios na educação. No Brasil, houve uma diferenciação na educação, onde pobres estudavam em Liceus e Ofícios; enquanto a classe dominante predominava nas primeiras universidades do país.
Não podemos somente colocar a culpa na classe docente por erros educacionais. É preciso saber que todo o sistema participa ativamente da educação. O trabalho do professor quando é feito com propósito de desenvolver o aluno, faz grande diferença, porque faz com que o aluno possa permanecer em sala de aula devido a ter um professor que age diferente, ou que faz a diferença.
O desenvolvimento do educando envolve o desenvolvimento do ser humano, como por exemplo, a cognição, afetividade, psicomotricidade e o modo de viver. Além das capacidades de analisar, compreender, sintetizar, julgar, etc. A educação é o meio pelo qual a sociedade se reproduz e se renova cultural e espiritualmente, com consequências materiais.
Os conhecimentos adquiridos, que servem como um dos elementos de desenvolvimento do educando trazem em si também a metodologia e a visão de mundo com as quais foram elaboradas. Por exemplo, o conhecimento da adição em Matemática, traz dentro de si a metodologia da adição. São elementos separáveis didaticamente, mas de um modo geral inseparáveis.
É muito importante que as habilidades se transformem em hábitos, no sentido de que os hábitos são automatismos que se desenvolvem pelo exercício de um modo qualquer de agir. São necessários no desenvolvimento humano. Na Matemática, os hábitos adquiridos na aprendizagem das operações básicas, fazem com que os raciocínios se desenvolvam com complexidade.
Os conteúdos socioculturais são de grande importância para a formação das convicções sociais e para o desenvolvimento das capacidades do educando. A cultura existente é necessária para o desenvolvimento das novas gerações. A assimilação dessa cultura serve de base para o desenvolvimento das capacidades cognoscitivas de cada sujeito social.
Há duas formas de aprendizagem: a espontânea e a intencional. A aprendizagem espontânea acontece nas situações do nosso cotidiano; por exemplo, as relações com os colegas, os modos de falar, os modos de se vestir, etc. Essa aprendizagem é significativa, mas ineficiente quando se fala em assimilar os conteúdos socioculturais.
Já a aprendizagem intencional, como o próprio nome diz, é a busca intencional do conhecimento. Os alunos ao frequentarem a escola estão buscando o conhecimento intencional. O professor propõe conteúdos socioculturais que estimulam a assimilação ativa dos conhecimentos por parte do educando assim também como o desenvolvimento cognoscitivo.
A aprendizagem reflexa seria a fixação de resumos, de conhecimentos na memória do educando. Diferente da aprendizagem ativa. A aprendizagem ativa é aquela construída pelo educando a partir da assimilação ativa dos conteúdos socioculturais. O aluno se desenvolve à medida que torna propriamente suas as experiências vividas. É preciso que o conhecimento possibilite a iluminação da realidade.
A arte de ensinar é a de criar condições para que o aluno entenda aquilo que se está querendo que ele aprenda. E para que essa aprendizagem seja feita de forma efetiva, é preciso que os conteúdos aprendidos pelo aluno sejam compreendidos e internalizados, só dessa forma é possível ter um melhor desenvolvimento nos estudos.
O ensino sistemático é um modo de propor aos alunos conteúdos escolares que tenham conflito com o atual nível de desenvolvimento. Somente desta forma, o aluno pode avançar, pois o ensino traz ao aluno algo novo que o desafia e consequentemente faz ele progredir em seus conhecimentos escolares. O nível de dificuldade deve ser assimilável pelo estudante.
Piaget fala da aprendizagem e dos processos de assimilação e acomodação. A assimilação se dá entre o suporte cultural e cognitivo do educando e os elementos do conteúdo novo de aprendizagem. A acomodação é a aquisição nova por parte do educando. Só é possível aprender na medida em que já se tenha os mecanismos de assimilação do novo que vai ser ensinado.
            Segundo o autor o processo de ensino/aprendizagem apresentam quatro elementos principais a serem levados em consideração: assimilação receptiva de conhecimentos e metodologias; exercitação de conhecimentos, metodologias e visões de mundo; aplicação de conhecimentos e metodologias; inventividade. A prática do ensino/aprendizagem não terá de seguir essa ordem.
            São mostrados, pelo autor, quatro objetivos fundamentais na aprendizagem, a saber, 1 – assimilar receptivamente conhecimentos e metodologias como conteúdos socioculturais; 2 – apropriar-se dinâmica e independentemente desses conhecimentos e metodologias, por meio da exercitação; 3 – transferir inteligentemente esses conhecimentos e metodologias para situações-problemas diversas daquelas com as quais os conhecimentos e metodologias foram produzidos e transmitidos; 4 – produzir novas e criativas visões e interpretações da realidade.
            Assim, o educador deverá exercitar suas atividades. Portando deverá planejar, executar e avaliar tendo em vista construir os resultados que espera obter, que é, no caso, o desenvolvimento do educando.

REFERÊNCIA
LUCKESI, Cipriano Carlos. Por uma prática docente crítica e construtiva. In: LUCKESI, Cipriano Carlos. Avaliação da aprendizagem escolar: estudos e proposições. 22. Ed. São Paulo: Cortez, 2011, p. 139-169

       

       

sexta-feira, 22 de agosto de 2014

Seminário II - Avaliação do aluno: a favor ou contra democratização do ensino?




Síntese: Avaliação do aluno: a favor ou contra democratização do ensino?
LUCKESI, Cipriano Carlos. Avaliação do aluno: a favor ou contra democratização do ensino? In: LUCKESI, Cipriano Carlos. Avaliação da aprendizagem escolar: estudos e proposições. 22. Ed. São Paulo: Cortez, 2011, p.95-118.
1.      Democratização do ensino e avaliação do aluno
·         Democratização do acesso á educação escolar
·         Por que necessitamos de escolarização?
·         Como apropriar-se da informação e de suas complexas mediações
·         Como vamos exigir nossos direitos?
·         Educação como instrumento necessário
·         Acesso Universal ao ensino como democratização
·         Importância da Revolução Francesa !
·         Sociedade Burguesa subtraiu as camadas populares do acesso á educação escolar
·         Dificuldade de acesso ao ensino é um fator que atua contra a sua democratização
·         A permanência do educando na escola e a consequente terminalidade escolar definem a democratização do ensino
·         Permanência escolar com brechas dependendo das condições locais
·         Desde a década de 30 se ver esse fenômeno de altas taxas de evasão, e nenhuma decisão foi tomada
·         A sociedade burguesa procura por diversos mecanismos limitar o acesso e a permanência das crianças e jovens no processo de escolaridade
·         A repetência e a terminalidade tem implicações sérias e graves contra a democratização do ensino
·         A não permanência, o baixo nível de terminalidade e a qualidade de ensino são fatores antidemocráticos
·         Permanência e terminalidade dão-se na intimidade da escola e aí a avaliação da aprendizagem possui um papel importante.
·         Uma avaliação escolar conduzida de forma inadequada pode possibilitar a repetência, consequentemente evasão
·         Testes mal-elaborados, leitura inadequada, uso insatisfatório dos resultados, autoritarismo e etc.. tornam a avaliação um instrumento antidemocrático
·         Papel da avaliação da aprendizagem:
o   Possibilitar uma qualificação da aprendizagem do educando, sem pensar em classificar
2.      A atual prática da avaliação e democratização do ensino
·         A avaliação educacional escolar se processa na sala de aula;
·         Após a unidade de ensino os professores aplicam instrumentos para avaliar a aprendizagem do aluno;
·         Os professores esperam que os alunos expressem seus entendimentos e compreensões dos conteúdos;
·         Os instrumentos de avaliação são construídos baseados nas seguintes variáveis:
1.      Conteúdo ensinado;
2.      Conteúdo que pensa ter ensinado;
3.      Conteúdos extras.
·         Após elaboração do instrumento o professor faz uma revisão e por julgar fácil cria mais algumas dificuldades;
·         Os professores atribuem  notas que somadas formaram médias de aprovação ou reprovação sendo registradas no histórico escolar do aluno;
·         As escolas além de provas finais utilizam outras atividades para avaliação, como: testes intermediários, trabalhos entre outras atividades;
·         Entende-se avaliação como um juízo de qualidade sobre dados relevantes, tendo em vista uma tomada de decisão;
·         São três as variáveis para que o ato de avaliar cumpra seu papel:
1.      Juízo de qualidade
2.      Dados relevantes da realidade
3.      Tomada de decisão
·         1. Juízo de qualidade – são afirmações ou negações sobre algo, para atribuí-lo teremos que possuir um padrão ideal de qualidade.
·         O professor compara os resultados das condutas do aluno com as expectativas de resultado do padrão ideal de julgamento;
·         O juízo de qualidade deve estar fundado sobre os dados relevantes da realidade;
·         2. Dados relevantes da realidade – São as condutas aprendidas e manifestadas pelos alunos, sua aprendizagem será mais ou menos satisfatória baseado no padrão ideal;
·         3.Tomada de decisão – Baseia-se em três possibilidades:
1.      Continuar na situação em que se está;
2.      Introduzir modificações;
3.      Suprimir a situação.
·         Os professores dificilmente definem com clareza o padrão de qualidade que se espera da conduta do aluno;
·         Um padrão ideal de aprendizagem  seria o mínimo necessário naquilo que se estar ensinando;
·          A prática da avaliação é atravessada por questões disciplinares, de controle dos alunos e castigo;
·         Os dados relevantes deverão ser compatíveis com o objeto a ser avaliado e os objetivos que se tem;
·         Os professores consideram dados irrelevantes para tornarem os seus instrumentos de avaliação mais difíceis;
·         Pela avaliação reduzimos a criatividade e impedimos a construção do conhecimento do aluno manifestada por uma prática autoritária da avaliação e por isso antidemocrática;
·         A avaliação é expressa por meio de algum símbolo, seja ele numérico ou verbal, as notas são símbolos numéricos e os conceitos são símbolos verbais;
·         Essa média só pode ser obtida pelo fato de praticarmos um contrabando entre a qualidade e quantidade;
·         O contrabando entre qualidade e quantidade é uma forma pela qual os alunos podem sem aprovados sem deter os conhecimentos necessários numa unidade de ensino;
·         Se as escolas trabalhassem com o mínimo de conhecimentos, ela não teria necessidade de fazer média;
·         A atual prática de avaliação escolar contém muito de antidemocrático.
3.      Proposição de um encaminhamento: A avaliação diagnóstica
·         A atual prática de avaliação escolar não viabiliza um processo de democratização do ensino
·         Possibilita um processo cada vez menos democrático no que se refere à expansão do ensino e sua qualidade
·         Partir para uma avaliação diagnóstica
·         Modificar a avaliação de classificatória para diagnóstica
·         Avaliação ser assumida como um instrumento de compreensão do estágio de aprendizagem
·         Tomar decisões suficientes e satisfatórias para que possa avançar no seu processo de aprendizagem
·         Saindo da ideologia de aprovação e reprovação e partindo para um diagnóstico da situação
·         Se determinado conhecimento ou habilidade é essencial para o aluno, ele tem que adquirir
·         Se não adquiriu aquele conhecimento tem que trabalhar para adquirir
·         Comparação com um diagnóstico médico
·         Todo inserir imagem com um diagnóstico médico
·         Proposição da avaliação
·         Avaliação como um instrumento de diagnóstico para o avanço
·         Tendo funções de autocompreensão:
      - do sistema de ensino
      - professor
      - aluno
·         Fornecendo uma automotivação do aluno, já que o aluno poderá enxergar seu crescimento mediante os níveis de aprendizado
·         Para que a avaliação cumpra essas funções, exige-se um rigor técnico que é:
- Medir resultados de aprendizagem claramente definidos, que estivessem em harmonia com os objetivos instrucionais
- Medir uma amostra adequada dos resultados de aprendizagem e o conteúdo de matéria incluída na instrução
- Conter os tipos de itens que são mais adequados para medir os resultados da aprendizagem desejados
- Ser planejados para se ajustar aos usos particulares a serem feitos dos resultados
- Ser construídos tão fidedignos quanto possível e, em consequência, ser interpretados com cautela
- Ser utilizados para melhorar a aprendizagem do estudante do sistema de ensino



Clique para ver os slides